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28.10.14

Especial - Espetáculo | Sirena

                    

  
Mer notícias das profundezas obscuras oceânicas! As dançarinas do 'Bate-papo com Sereias' > Bruna Gomes < e > Patricia Nardelli <, respectivamente fundadora e diretora  e dançarinas do grupo Al-Málgama estão voltando aos palcos com um novo espetáculos sobre sereias, o Sirena!

O espetáculo "Sirena" entratá em cartaz no dia 31 de Outubro e ficará até o dia 2 de Novembro. Se estiver em Porto Alegre indico que não perca a oportunidade de assistir.



"O novo trabalho do grupo Al-Málgama, “Sirena”, aborda mitos e arquétipos relacionados ao universo das divindades aquáticas, as sereias. Livremente inspirado no conto infantil “A pequena sereia”, de Hans Christian Andersen, entre várias outras fontes de referências sobre o tema. A concepção coreográfica de Bruna Gomes (Prêmio Açorianos de Dança 2012 e 2013) brinda o público com uma atmosfera sinistra, mesclando humor, lirismo, freak-show e questionando estereótipos e valores do senso comum, abordando questões importantes e atuais."


O espetáculo dirigido por Bruna Gomes editado e revisado por Patricia Nardelli conta com uma equipe bem estruturada. Fique por dentro das atualizações nesta reta final acompanhando a página do espetáculo em > "Sirena" < e para saborear um pouco do que vem por aí assista ao > video promocional <


Serviço

Evento: Espetáculo Sirena
Grupo: Al-Málgama
Local: Sala Alvaro Moreira (Porto Alegre)
Hora: as 20:00
Ingressos: Escola Al-Málgama
Curta temporada: 31-Out | 02-Nov.




Ficha Técnica

Direção artística e concepção: Bruna Gomes e Carolina Gomes  .  Edição e revisão de roteiro: Patricia Nardelli e Gustavo de Araújo  .  Direção dramatúrgica: Lucas Reinisch  .  Contrarregragem: Simone Rios  .  Fotografia: Deivid Jardim  .  Filmagem: Estela Sanarte  .  Luz: José Vicente Goulart  .  Som: Lucas Reinisch



Elenco

Ana C. Santos  .  Bruna Gomes  .  Carina Schneider  .  Carolina Galisteo Diemer Lopes  .  Claudinha Goulart  .  Gustavo de Araújo  .  Iara Barcellos  .  Letícia Panatieri  .  Patrícia Nardelli  .  Paula Trombetta  .  Samira D’Ornelles  .  Susana França  .  Taís Cunha 


Elenco de apoio

Mariana Corrêa  .  Izadora Ferreira


Bonus
Reveja um trecho do espetáculo Sirenias


27.10.14

Bate-papo com Sereias | (re)Introdução posterior (reeditada)


 Resolvi tornar a postagem de introdução ao 'Bate-papo com Sereias' uma postagem a parte para deixar a Mer Patricia ter sua página sozinha como todas as outras (quem leu antes desta edição viu que eu abria com este texto abaixo e logo depois já dava início na mesma publicação a conversa com ela). Então, este é motivo pelo qual vocês podem ver a abertura do bate-papo com data muito posterior aos bate papos. Certo? Isto deveria ter sido feito no início mas eu definitivamente não tenho vocação para começar as coisas pelo início então, está explicado.
Siga lendo a intro e encontre as conversas pelo menu, observe que estão numeradas: Bate-papo com Sereia (1), (2)... E segue!

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Quando eu era criança ficava realmente muito fascinada com as sereias, e queria ardentemente que elas existissem. Eu acreditava (porque queria acreditar) que os golfinhos eram os companheiros, mensageiros e melhores amigos delas, e que aonde eles estivessem elas estariam. Isso me levou a ter fascínio também pelos golfinhos. Nesta época, ainda era possível atravessar a Baía da Guanabara de barca na companhia dos golfinhos, que nadavam e saltavam ao lado da embarcação acompanhando-nos por longo trajeto.

Me lembro de um acampamento com vários amigos, e um dia conhecemos um homem que disse ter ali perto um santuário de sereias, e nos levou ao entardecer. Ficamos cerca de 2 horas no local, era lindo, parecia encantado (talvez por nossa mente criar o encantamento que nossos olhos queriam ver) mas não vimos sereias apesar de desconfiarmos tê-las ouvido. Fomos embora certos de termos estado num lugar mágico porque escolhemos acreditar nisso. E é e sempre será um santuário de sereias para mim.

Me lembrando desta experiência voltei a pesquisar o que se fala por aí sobre este ser e me deparei com muitos vídeos tentando comprovar que elas existem. Alguns lindos outros toscos rsrsrs, o que não se faz para provar que sereias existem! E então cheguei as sereias e 'sereios' humanos, pessoas que escolheram viver como sendo estes seres marinhos, com direito a caudas e longos períodos no mar ou lagos. Outros levando este encantamento para os palcos em forma de dança.

Convidei algumas pessoas a publicarem vídeos e fotos na página do Facebook sobre sereias, conversei com outras, assisti e li muita coisa.
E neste contato encontrei alguns profissionais da dança que usam a imagem da sereia como concebem como forma de expressão. E por trás de todo fascínio por sereias tem uma história.

A partir de hoje, a RedLalita vai contar algumas destas histórias publicando uma série de entrevistas, na verdade bate-papo informal.

Abrindo os trabalhos. 


Bate-papo com sereias (1) | Patricia Nardelli
Bate-papo com sereias (2) | Gabriela Miranda
Bate-papo com sereias (3) | Bruna Gomes
Bate-papo com sereias (4) | Farasha DesertSiren (parte 1 de 2)
Bate-papo com sereias (4) | Farasha DesertSiren (parte 2 de 2)
Chat with Mermaid Farasha | Complete Original English Version

2.3.14

Bate-papo com Sereias (3) | Bruna Gomes



Bate-papo nº 3
Bruna Gomes
28/02/2014

RedLalita: Estou feliz em entrevistar mais uma integrante do Al-Málgama. Obrigada por aceitar participar. Seja bem-vinda, Bruna!
Bruna Gomes: Obrigada! Fico feliz com a oportunidade e o espaço!

RL: Mas você é mais do que uma integrante do Al-Málgama, não é?
BG: Sou diretora, coreografa e líder do Grupo. E bailarina.


RL: É também a fundadora?
BG: Isso, sim, a fundadora. 


RL: Como você definiria a proposta de linguagem do grupo?
BG: Hummm...
Bastante variada, gosto da linha de pesquisa e cada trabalho é único, exploro a criatividade e a diversidade, considero o estilo do grupo diverso e é isso que mantém a nossa marca.
Mantendo com base a dança tribal aliada a processos experimentais.


RL: Então podemos ver o Al-Málgama falar sobre qualquer coisa com qualquer linguagem? Não há um estilo Al-Málgama de se expressar? Claro, sempre baseado em pesquisa e desenvolvimento como você já descreveu.
BG: O Al-Málgama poderia ser classificado como ‘Tribal Interpretativo’, pois nossas coreografias, na maioria das vezes, têm a tendência a passar algum tipo de mensagem crítica ou contar uma história.

RL: Tribal Interpretativo. Pela forma como você definiu isto eu diria que esta é a linguagem do Al-Málgama...
BG: Difícil definir uma linguagem única, mas o Tribal interpretativo sem dúvida é a dominante.

RL: Achei muito interessante, então vou assumir que é uma postura para não limitar a uma definição.
BG: Ótimo! Não gosto de limitações. :)
Aliás, acho que a limitação vai contra a proposta de experimentação e da arte viva.

RL: Sim, na verdade eu perguntava sobre linguagem...
Então no meio destas pesquisas surgiram as sereias? Como você chegou a este conceito?

BG: Eu sempre gostei de seres mitológicos e ou místicos femininos. Antes de montar a coreografia das sereias, vi vários trabalhos de dança que evocavam o ser sereia, mas não como a sereia mitológica, e sim como a Ariel da Disney, e isso me incomodava, pois a sereia destes trabalhos, além de ser boazinha, doce, gentil, representava a beleza feminina dentro do padrão estético masculino, ou seja... Eram belas para o público masculino, eram Disney. Então decidi montar uma coreografia que mostrasse o ser mítico, que não era nada boazinha, mas tampouco malvada, e sim instintiva, ou seja, agia conforme a ocasião pedia (se ser bela para os homens lhe trouxesse vantagem - leia-se comida, vingança - ela o seria).

RL: Eu também não gosto destas sereias 'disney', são na verdade as princesas indefesas a espera do salvador dos contos de fada versão aquática. O ser mitológico é bem mais interessante.
BG: certamente.

RL: Antes da pesquisa para o grupo você já tinha interesse no tema. Você se lembra de como foi que surgiu seu interesse pelas sereias?
BG: Acredito que tenha sido através de estudos sobre as grandes navegações. Foi quando entendi que as sereias "verdadeiras" nada têm a ver com as da Disney.

RL: Então foi um interesse desperto por estudos, não houve um lado lúdico como é na maioria dos casos?
BG: Não. (risos)


Claro que eu achava linda a ideia das sereias enquanto seres fantásticos, mas o que despertou o tesão para a pesquisa foi saber deste outro lado delas, o lado contado por marinheiros, por pessoas reais que viveram em um período no qual elas poderiam ser críveis, no qual despertavam medo mais do que curiosidade.




RL: Não veremos a Bruna Gomes realizando uma fantasia pessoal usando cauda de sereia. Fora de cogitação, certo? (risos)
BG: Por que não? (risos)
Se for pra fazer uma coreografia só pra poder usar o rabo de sereia, aí não. Pois sempre tenho em mente passar algum tipo de mensagem ou de interpretar alguma história. Nestes casos, se o uso de tal ornamento for um incremento para a coreografia, aí sim, eu usaria feliz da vida. (risos)

RL: Bom... Suas respostas estão destruindo minha expectativa de ouvir algo como, ‘quando eu era criança eu queria ser uma sereia’. :D
BG: (risos) Desculpa!

RL: Mas fora dos palcos, a sereia não faz parte de forma alguma do seu imaginário? 
    
BG: Não sei. Como assim?

RL: Hahahahah
Vou desistir de te forçar a ser uma sereia!

BG: Hahahahah! Eu sou uma sereia. Hahahahah

RL: :D
Eu acho que estou na lista das pessoas que nunca quiseram ser sereias, eu sempre quis ter uma amiga sereia sabe, pra ir bater papo com ela na praia vez ou outra.

BG: Ótimo! Se conheceres uma, me apresenta. Adoraria bater um papo também. :)

RL: Apresento sim!
No desenvolvimento do tema para o trabalho coreográfico você deve ter se deparado com algum fato interessante nas pesquisas. Lembra-se de algum para nos contar agora?

BG: Ah, sim! Achei muito interessante o mito da sereia Iara (uma sereia da mitologia brasileira), cuja maldição era ser linda. Ela viveu uma vida infernal em função da inveja e bulling pelas outras índias devido a sua tamanha beleza, por vezes sofreu perseguição e ameaças de morte, até que ela decide se matar jogando-se no rio, mas novamente a sua maldição (beleza) não permite que ela morra. Os seres das águas não admitiram que algo tão belo morresse e então a transformam em um ser hibrido que vive amaldiçoada solitária, e por tanto se usa de sua beleza para vingar-se e matar quem quiser admirá-la.
Mais ou menos isso. Essa lenda inspirou profundamente minha construção coreográfica. Embora não seja literal a representação todos os elementos dessa história, busquei usar no meu trabalho. A supervalorização da beleza e exotismo, representada por um "aquário" no inicio da coreografia, a sedução e a vingança que ocorrem durante o processo e finaliza com um afogamento de alguém escolhido na hora entre o público, são elementos que vieram para a coreografia devido a esse mito.

RL: Este é um tema que você ainda pretende explorar?

BG: Sim. Estou planejando explorá-lo mais em breve. Esta é uma das coreografias mais queridas do grupo. Nosso projeto agora é explorar mais o lado maligno das sereias, o lado monstro.
A Patricia Nardelli, uma das integrantes do grupo, já deu um apelido para a nossa coreografia: Sereias Abissais. Mas ainda não está definido o nome real da coreografia, e nem a coreografia, mas pretendemos montá-la ainda este ano.

RL: Todo o processo é desenvolvido por você?
BG: Normalmente eu entro com a proposta e o esqueleto do trabalho, mas sempre abrindo espaço pra processos coletivos de criação.

RL: Agora vamos brincar?

BG: vamos! :)

RL: Fale como sereia!
BG: Glub
Hahahah

RL: Hahahahah
Foi a coisa mais original que uma sereia me disse! Adorei!

BG: Hahahah

RL: Bruna adorei nosso bate papo! :)
BG: Obrigada, querida. Adorei também. Foi um grande prazer.
Quando novos trabalhos sereísticos estiverem prontos, te avisarei.

RL: Faça isso! Vou adorar ver o novo trabalho! O prazer foi todo meu! Glub! (risos)
BG: Glub! (risos)  


RL: Beijos!
BG: Beijos pra ti também.



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